sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo!!!

Oi amigos,

Ufa…enfim chegou o último dia de 2010. Apesar da diferença entre o dia 31 de Dezembro e o dia 01 de Janeiro ser de apenas 24 horas, o que importa é aquela mudança do último dígito de 2010 para 2011. Amanhã, um novo ano começará...a partir daquela hora quando acordarmos não terá mais jeito...2010 já terá ido. E olha...aqui entre nós...já vai tarde.

Hoje conversando com a Luana ela me perguntou : “E aí, como está o último dia do ano?”. Não consegui pensar em outra resposta senão: “Torcendo para que chegue logo amanhã!”. Posso parecer pessimista, mas não tem jeito...não consigo achar 2010 um ano bom, um ano positivo. Eu lembro muito de todas as esperanças que tínhamos no último réveillon, todos os sonhos e planos, mas foi justamente no ínicio de 2010 que as coisas começaram a piorar, com a descoberta das metástases cerebrais. O que já era difícil começava a revelar as suas faces mais perversas.

Temos a tendência de enxergar as coisas sempre segundo uma dualidade (bem e mal, positivo e negativo, perdas e ganhos...) e quando olho para 2010 vejo que, apesar do lado negativo, do lado da perda ser imenso, não posso deixar de ver que existiram vários ganhos também. Mesmo que a somatória de todos eles não compense a perda do grande amor da minha vida, lá estão registrados os diversos amigos que conhecemos nesse ano, os inúmeros e lindos momentos que eu e a Luciana passamos juntos e o nascimento da nossa linda princesa Helena.

Muitos desses momentos aconteceram em meio a angústias e turbulências, mas foram raios de luz que brilharam quando tudo parecia escuro, sementes que foram jogadas e que sei que ainda darão vários frutos. Eu hoje não faço tantos planos, mas quando penso em terminar a reforma do apartamento, poder estar com as crianças em um lugar pensado para elas, do jeito que eu acho que a Luciana faria, isso me deixa muito animado...faz o meu coração ficar eufórico! Pensar no aniversário do Pedro e no primeiro ano da Helena, em vê-la começando a andar (coisa que acho que logo logo ela estará fazendo) e pedir a Deus que me permita ser um bom pai, são coisas que me deixam animado e ansioso para 2011. Sei que nada disso será fácil, já que aquela que sempre deu sentido para tudo em mim não estará ao meu lado fisicamente, mas confio que Deus não me deixaria sozinho em um momento tão importante quanto esse e que tudo o que eu e a Luciana vivemos juntos, a nossa fé em Deus, o nosso amor, a nossa história, todos os valores que acreditávamos e que sempre defendíamos, servirão de base para construir o alicerce da nossa família.

Queria nesse último post de 2010, desejar a todos um Feliz 2011! Que esse novo ano seja repleto de alegrias, de amor e de bênçãos e que mesmo se algo triste acontecer, que Deus possa ser sempre o sustento diário em nossas vidas.

Queria também agradecer por todos os momentos que vocês estiveram conosco, todas as orações, todos os pensamentos positivos e todo carinho que recebemos, de uma forma gratuita, linda e sincera. Acho que nunca vi tantas demonstrações de amor quanto as que foram direcionadas para nós, em especial para a Luciana e para a Helena. Obrigado de coração por cada um delas.

Por fim, queria deixar um versículo aqui. Um versículo pequeno, porém que sempre me toca devido à sua profundidade.

João 14:6

Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai
senão por mim.

Um grande abraço meus amigos. Fiquem com Deus! Feliz 2011 para todos!
Woltony, Luciana, Pedro e Helena

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

E já se foram 6 meses...

Oi amigos,

O post que escrevo hoje era para ter sido escrito ontem. Afinal, foi ontem que a gente parou para lembrar e chorar os 6 meses da partida da Luciana. Eu até tentei escrever, mas não vieram palavras, não veio inspiração suficiente para escrever. Assim, hoje aproveito para falar um pouco sobre os últimos acontecimentos e sobre essas datas tão difíceis, que foram o natal e os seis meses da partida da Luciana.

Falando sobre o Natal, acho que nunca passei um Natal tão difícil quanto esse. Costumo falar inclusive que foi uma das piores datas em termos de tristeza, comparada somente com os dias que se sucederam àquele 27 de Junho. Quem nos conhece sabe o quanto valorizávamos tudo o que dizia respeito ao Natal, desde o amigo oculto com os amigos até a oração feita quando chegava a madrugada do dia 24 para o dia 25 de dezembro. Sem querer entrar muito em detalhes, foi muito ruim não tê-la ao meu lado, sentir o seu carinho em olhar para mim, me abraçar e dizer com aquele sorriso mais lindo do mundo: “Feliz Natal meu amor!”. Na hora eu inconscientemente me peguei procurando os seus olhos, o seu rosto , mas sabia que aquilo era só uma ilusão. Fechei os olhos e falei em oração: “Feliz Natal meu amor...eu te amo muito!”. Abracei o Pedrinho, que estava super empolgado com a quantidade de gente em volta dele e fui para o quarto onde a Helena dormia. Pois é, a nossa princesa não agüentou ficar acordada até tarde. Ali, com a Helena dormindo, eu pude ficar um pouco mais tranqüilo, com o meu choro, com os meus pensamentos e lembranças. Se existia um alívio em tudo isso, era o fato que as crianças estavam bem e que o Natal estava passando...mais um data difícil estava indo embora.

Por falar em data difícil, ontem fez 6 meses que a Luciana partiu. Não tem como acreditar que já passou meio ano...aliás, eu nem sei se acredito ainda em tudo isso. Parece uma loucura! Como a gente conseguiu chegar até aqui, como conseguimos viver? Aliás, nem sei se a gente viveu...talvez a gente sobreviveu. Quando eu paro para pensar eu vejo que Deus tem me conduzido até aqui, por mais que eu tenha ficado chateado ou magoado. Aliás, eu acho que Ele já sabia que eu me sentiria assim...afinal de contas, Ele sabia do tamanho do meu amor e me conhecia desde quando eu ainda estava no ventre da minha mãe. Na Bíblia está escrito que “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem”. Assim, eu acho que é por fé que tenho andado, tentando confiar em Deus e pedindo a Ele a dose diária de forças para continuar.

Falando um pouquinho sobre esses dias com as crianças, não tem como negar que eles estão cada vez mais espertos. Helena agora está expressando melhor as suas “ordens”...experimente contrariá-la para você ver! Pedro está um fanfarrão como sempre. Esses dias ele ganhou uma fantasia do Batman e saiu correndo pela casa, mostrando os seus músculos e a sua performance. Eu aproveitei e coloquei um videozinho no youtube. Espero que gostem. Para quem não conhece, quem esta no vídeo são os meus pais (tudo bem que eles quase não aparecem...rsrs). O link é:

Amigos, obrigado por nos acompanharem e por estarem sempre conosco. Tenho recebido sempre várias mensagens muito carinhosas...saibam que não saberia como retribuir tamanho carinho e amor. Oro a Deus que proteja sempre cada um de vocês!

Beijos e fiquem com Deus

Woltony, Luciana, Pedro e Helena

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Feliz Natal!


Oi amigos,


Enfim chegou o Natal, uma das datas mais esperadas de todos os anos e uma das mais temidas nesse ano. E isso é tão notório que a gente nem precisa explicar, visto que volta e meia alguém chega para mim e concorda que o primeiro Natal sem um ente querido é muito difícil. Se mesmo pessoas que nunca perderam alguém próximo concordam nisso, então realmente deve ser verdade. Pelo que estou sentindo esses dias, sou obrigado a concordar que realmente não está sendo fácil, que está sendo duro, e aquela ansiedade pela chegada do Natal hoje se converte em uma ansiedade para que passe logo.

Como eu já havia comentado em outros posts, o que ainda me anima um pouco nesse Natal são as crianças. Permitir que a Helena tenha registrado os momentos do primeiro natal da vida dela, levar as crianças para o shopping e tirar foto com o papai noel e montar a árvore foram coisas que me animaram, a despeito de tudo. Além do mais, eu sinto que ela gostaria que isso fosse feito, uma vez que ela sempre prezou para que as crianças pudessem curtir cada momento do Natal.

No post de hoje eu decidi fazer algo diferente, experimentar algo novo. Nas minhas consultas com a psicóloga, a mesma sugeriu que eu de vez em quando “escrevesse uma carta para a Luciana”, colocando para fora tudo o que eu estava sentindo. Enquanto eu entregava alguns cartões de Natal, eu pensei que poderia fazer isso. Não escrevi nada antes..vou tentar fazer agora...

Oi amor

É tão difícil escrever para você...como escrever para alguém que mora no seu coração?! Pois bem...chegou o Natal...que falta que você faz! Lembra do Natal do ano passado, que mesmo você fazendo tratamento você insistia em andar o shopping quase todo, procurando uns presentinhos? Lembro até que eu ficava sem graça de dizer que estava cansado, pois você tinha feito quimioterapia, estava grávida e ainda apresentava uma disposição de fazer inveja...e que disposição!

Como era lindo ver você andar, em qualquer lugar...reparar nos seus olhinhos sempre tão espertos era algo que me fascinava! Você tinha um jeitinho todo especial, um misto de simplicidade e sofisticação, o tal do rústico-chique que uma vez te disseram. Para mim, você era muito mais do que um estilo...você era a própria referência de bom gosto, o equilíbrio entre estilos que resultava numa combinação única! Tem dias que me pego olhando para as suas fotos e não canso de ficar te admirando...como você era bonita meu amor. Lembra que eu te dizia que você era a mulher mais bonita que eu conhecia? Então...isso ainda continua valendo! E nem adianta dizer que eu conheço pouca gente, você sempre foi linda! E saber como você é por dentro sempre fez você ficar mais linda ainda! Admirar você sempre fez o meu tempo parar.

Esse Natal está horrível sem você...não consigo pensar em outra coisa se não gritar “Volta, por favor!” Esse seria o meu maior desejo....mas sei que não posso tê-lo. É tão ruim estar sozinho no meio da multidão meu amor...a cada dia que passa eu reconheço mais o quanto era especial ter você ao meu lado...me parece realmente um privilégio ter tido você como a minha esposa e ter vivido uma história como a nossa.

As crianças estão lindas meu amor...eu acho que de onde você está você pode acompanha-las. Esses dias Pedro perguntou novamente sobre você, mas demos a resposta de sempre. É lindo ver como ele te ama, como ele sempre fala de um jeito muito carinhoso sobre tudo o que vocês viveram. Eu peço a Deus que a Helena também desenvolva esse tipo de carinho por você meu amor...sinto que isso é uma das missões que tenho.

Tenho vontade de te dizer tanta coisa meu amor...tanta mesmo que não caberia aqui. Mas uma coisa que sempre tivemos foi a dom da conversa, o dom da prosa a dois. Nunca nos faltou assunto e mesmo quando estávamos em silêncio, os nosso corações conversavam....quantas vezes falamos a mesma coisa ao mesmo tempo! Eu me orgulho tanto da nossa sintonia amor...tanto que chego a pensar que hoje em dia, mesmo depois de você ter partido, ainda guardamos essa ligação, essa conexão. Não tenho como provar...só sinto isso.

Queria tanto te abraçar meu amor...sentir de novo o seu corpo, o seu cheiro. Que saudade meu anjo...que saudade....como a gente consegue ficar sem aquela que dá cor a todos os sonhos e pensamentos? Ainda não aprendi a viver sem você na minha vida e sinceramente não acho que algum dia eu venha a aprender.

Eu te amo minha princesa...te amo muito. Te amo mais do que ontem e menos do que amanhã...não tem um segundo na minha vida que eu não pense em você.

Que Deus te guarde e te proteja nesse natal meu amor...que Cristo esteja brilhando ao sue redor, iluminando e cuidando de você.

Te amo meu amor...para toda a vida. Conte comigo por aqui...tenho pedido a Deus que me ajude a dar conta das coisas por aqui, de ser um bom pai, de arrumar direitinho a casa e de fazer uma boa festa para as crianças. Como eu queria ter você comigo amor...essa sensação de amputação é muito dolorida.


Te amo muito...não quero me despedir. Eu te amo muito, nunca se esqueça disso meu amor.

Um beijão meu anjo...fique com Deus.

Saudades...”

Amigos, vou ficando por aqui! Que Deus esteja sempre a guiar a vida de cada um e que nesse Natal o nosso querido Cristo seja o farol que ilumina as nossas vidas.

Feliz Natal para todos!

Beijos,

Luciana, Woltony, Pedro e Helena

domingo, 19 de dezembro de 2010

Montando a árvore de natal




Pedro e Tia Márcia montando a árvore de natal








Helena dando a sua contribuição!


Oi amigos,

Parece que à medida que o Natal se aproxima, os dias ficam mais agitados e torna-se um pouco difícil conciliar a agenda com tudo o que queremos fazer. Além dos compromissos normais de trabalho e uma viagem ao Rio de Janeiro na sexta-feira, nesse fim de semana houve dois eventos importantes. Um foi o casamento de dois grande amigos (Sheila e Alan), que inclusive tive a honra de ser chamado para padrinho, e outro evento foi uma confraternização de final de ano na casa dos meus pais, reunindo boa parte da família dos meu pai e da minha mãe.

Eu fiquei um pouco receoso no casamento, pois a última vez que eu havia ido a um eu tive alguns momentos de tristeza, daquela saudade de estar casado com o amor da minha vida. Ontem essa saudade também me acompanhou, mas as lembranças que tive foram de como foi gostoso casar com a Luciana, de como foi bom vê-la de noiva, falar que ela estava linda e sentir o nervoso de colocar a aliança no seu dedinho. Ver a felicidade dos noivos foi lembrar da nossa felicidade e de como estávamos felizes de Deus ter nos conduzido até aquele momento. Ontem, eu só conseguia desejar que os noivos fossem tão felizes como nós fomos.

Eu não poderia deixar de falar da presença de um casal muito especial e querido por nós, o Egon e a Patrícia. Eles vieram para o casamento, e na sexta aproveitamos e saímos para jantar. Sair com eles foi quase que uma homenagem à Luciana, pois ela adorava toda vez que tínhamos uma oportunidade de nos encontramos. Lembro de ver a empolgação dela, tamanha afinidade que ela sentia com eles.

A confraternização foi muito boa também. É gostoso ver a família toda reunida e poder rever alguns parentes que há muito tempo eu não via. Não preciso dizer que foi emocionante quando eu cheguei com a Helena...para muitos era a primeira oportunidade de conhecê-la. Eu também fiquei emocionado por saber que a minha princesa é tão amada, por ver tantas pessoas queridas que acompanharam e oraram pela vida dela e que agora estavam ali, querendo vê-la. Penso nisso quando estou vendo as coisas para o aniversário dela...cada dia de vida da Helena é um grande presente de Deus.
Eu aproveito e coloco agora o link para o video dela, morrendo de rir nos ombros da Luana.

Hoje aproveitei e coloquei algumas fotos das crianças com a árvore de natal. Eu conversei com a Tia Márcia e montamos a nossa árvore na casa dela, mesmo porque o meu apartamento ainda está sob reforma. Foi lindo ver a o encanto das crianças com as luzes e com toda a decoração. Essa semana quero ver se consigo levá-las para tirar a tradicional foto com o papai noel e postar aqui, como fizemos ano passado com o Pedro.

Antes de me despedir queria colocar a letra de uma musica que uma amiga daqui do blog me mandou por email e que traduziu de uma forma muito especial algumas momentos que tenho passado.

O Anjo Mais Velho - Teatro Mágico
http://www.youtube.com/watch?v=dnga63bL0p4

Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A
cena repete a cena se inverte
Enchendo a minh'alma d'aquilo que outrora eu
deixei de acreditar
Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo
escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Metade de
mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a
luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende
de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só

enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar

Achei fantástica a parte que diz que diz:

De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem
pra chegar no fim


Porque parece que tudo isso convive junto, sendo faces desse processo de luto que teve data para começar porém que não escolhe a hora de chegar ao fim. Tem horas que a saudade dói, que a saudade faz a gente paralisar e pensar que não dará conta de continuar. Porém tem horas que a saudade traz aquela alegria que rima com nostalgia, que a saudade traz as lembranças necessárias para me fazer acreditar que posso ir em frente, sabendo que Deus sempre esteve conosco, e que Ele nunca permitiria que eu estivesse sozinho, justamente agora que é quando eu mais preciso dEle.

Hoje eu ainda teria muitas coisas para escrever, muitas outras fotos para colocar. Vou colocando aos poucos ao longo da semana.

Um grande abraço e fiquem com Deus!

Woltony, Luciana, Pedro e Helena

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Recordações

Oi amigos,

Hoje foi o último dia de aula do Pedro. O fanfarrão aprendeu também o conceito que férias significavam, como ele mesmo dizia, não precisar mais ir à escola. Acho que ele estava feliz e triste ao mesmo tempo. Bonito foi ver o olhar de saudade das professoras. Elas nitidamente haviam se apegado a ele, como também haviam se apegado aos outros alunos. Não sei se é coisa da minha cabeça, mas poderia afirmar que o Pedro conseguiu deixar uma marca no coração delas. Acho que também fiquei com um olhar pesaroso. Todas elas foram muito carinhosas e atenciosas com ele, pois sabiam do nosso contexto familiar e do quão era importante que ele se sentisse seguro e abrigado. Como já dizia minha mãe (e acho que todas as mães e pais), ficamos mais felizes quando fazem bem ao nosso filho do que quando fazem para a gente.


Estou aproveitando e enviando o link das fotos e do vídeo da apresentação de final de ano do Pedro. A filmagem está meio ruim porque eu não sabia se olhava para ele ou se filmava....rsrsrs.


http://picasaweb.google.com/102407337206617153216/PedroFimDeAno2010?authkey=Gv1sRgCIKV36Pn5vfpHA#

http://www.youtube.com/watch?gl=BR&v=OtSYx3S04Zc


A Helena agora está toda brincalhona. Quando a Luana finge que vai pegá-la, ela logo quer fugir e dispara uma gargalhada mais do que gostosa. Eu hoje pude filmá-la dando uns sorrisos lindos. Prometo disponibilizar aqui, assim que eu publicar o vídeo

Não sei bem o porquê, mas hoje os textos estão meio desconexos. Acho que talvez reflitam um pouco como eu estou me sentindo...uma confusão de um bocado de coisa. Estranho? Pois é, também acho. Tem horas que parece que existem mais pensamentos e sentimentos do que pode suportar a minha mente e o meu coração, mas como numa lógica de UTI, procuro dar atenção àquilo que me parece mais importante.

Essa confusão talvez tenha começado quando hoje decidi montar o nosso cartão de natal. Todo ano nós montávamos um cartãozinho e enviávamos para os amigos. Nem sempre conseguíamos enviar para todos, pois sempre fazíamos tudo corrido e muitas vezes não dava tempo de entregar para todo mundo. Quando comecei a mexer em algumas fotos eu simplesmente travei. Não consegui continuar. Tem horas que a dor e a saudade paralisam e você se sente atordoado, como um lutador de boxe tentando se recuperar de um knock-out e cambaleando procura o seu canto.

Junto com algumas fotos li esse texto do Carlos Drummond de Andrade, que nos foi enviado quando a Luciana partiu. Talvez o texto demonstre um pouco essa sensação de vazio, essa angústia que vez ou outra vem e assola o coração e, para a qual, o único remédio é o tempo.


Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te
acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste e
sem te despedires
foste embora.
Detonaste o pacto.Detonaste a vida geral, a comum
aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridadesem prazo sem
consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave do que o ato sem
continuação,
o ato em si,o ato que não ousamos nem sabemos
ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banaisque eram
sempre certeza e segurança.Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizesteo não previsto nas leis
da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste


Amigos, hoje talvez eu não tenha muita coisa a acrescentar. Só consigo pensar agora que Deus permite que a gente continue, que a gente siga em frente, apesar da saudade, apesar da dor, apesar dos pesares.

Salmo 23:1-6

O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.
Ele me faz repousar em pastos
verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso
refrigera-me a alma.
Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.
Ainda que eu ande pelo
vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu
bordão e o teu cajado me consolam.
Preparas-me uma mesa na presença dos meus
adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.
Bondade e
misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na
Casa do SENHOR para todo o sempre.

Um grande abraço e fiquem com Deus
Woltony, Luciana, Pedro e Helena

sábado, 11 de dezembro de 2010

Momentos do Pedrinho


Pedrinho se preparando para mais uma de suas perfomances!



Pedro e eu narrando alguns "episódios marcantes" da vida dele!
Oi amigos,

O post de hoje era para ser escrito na ultima quinta, porém fiquei esperando alguns eventos acontecerem para condensá-los em uma postagem só. Na última quinta feira foi o dia em que fui à escola do Pedro, pois ele era a estrela da semana. Hoje foi a apresentação de fim de ano, com a coreografia deles para os pais.

Começando pela quinta feira, eu acho que estava mais nervoso que o Pedrinho. No último dia eu quase não dormi, pensando que queria fazer tudo da forma mais especial possível. Uma das coisas que mais me preocupo com o Pedro é com a sua auto-estima. Quem o conhece sempre fala que o acha muito seguro, mas principalmente depois que a Luciana se foi, tenho andado muito preocupado com ele, procurando sempre fazê-lo se sentir muito especial. Então, estar com ele no meio dos outros amiguinhos era uma ótima oportunidade de tornar aquele momento único e especial. A Tia Márcia gosta muito de preparar scrapbook e desde que ele nasceu ela faz um álbum de scrapbook com informações dele. Eu usei esse álbum para falar da vida dele e também passei o vídeo que a Luana fez quando ele completou dois anos de aniversário. Foi emocionante vê-lo todo feliz, falando para todo mundo “Esse é o meu papai!”. Ele me ajudou a contar cada trecho escrito, sendo que um dos que ele mais gosta é o de quando ele nasceu. Ele faz desde a preparação do médico, conta que o médico cortou a barriga da mamãe e que ele saiu todo encolhido. O bonitinho é que ele faz até como ele chorava! No final a gente passou o vídeo dele e todas as crianças adoraram! Foi muito bom ver que a criançada gostou e interagiu bastante, tanto comigo quando com o Pedro. Emocionante foi ver um das meninas me perguntando ser eu voltaria no outro dia para brincar com eles!

O outro evento foi a apresentação de fim de ano que aconteceu hoje pela manhã. O Pedro estava vestido de anjinho, todo de branco. É incrível a intimidade que ele tem o palco! Logo que ele entra, ele procura alguém conhecido. Assim que passa o choque inicial, ele faz uma reverência para o publico e aí começa a mandar beijo para todo mundo. O engraçado é que no meio da apresentação ele se empolga e começa a pular, mandar beijos e inventa algumas coreografias da cabeça dele mesmo! Ele até já ficou conhecido pelas suas “palhinhas” no final.

Quando me perguntam como foram esses dois eventos, eu sempre falo que foram maravilhosos, porque realmente foi fantástico testemunhar como o nosso menino está cada dia mais esperto. O que foi difícil foi conviver e suportar a ausência a Luciana. Poxa vida...como eu lembro o quanto ela curtia fazer tudo pelo Pedro, o quanto ela inventava mil e uma técnicas para ficar “agarrando-o” e agora ela não estava lá, mandando beijos, gritando e torcendo pelo nosso filho. Na hora que ele começou a dançar, eu olhei e vi algumas pessoas da família chorando...pensando as mesmas coisas. No dia do estrela da semana, eu sempre falava da Luciana com a maior naturalidade possível, mas no fundo eu lamentava a cada momento. Lamentava por ela não estar ali curtindo aquele momento e por ele também não poder ter a Luciana ali junto na sala conosco, como várias outras crianças tinham, assim como não tê-la na platéia. Isso sem falar que toda hora ele falava que iria fazer uma apresentação para a mamãe e para o papai. Esse ainda é um dos pontos que volta e meia converso com Deus: “Poxa Deus...porque privar as crianças da convivência com alguém tão especial?

Por falar em crianças, a nossa princesa está impossível de tão fofa! Ela faz um biquinho agora quando começa a querer falar e já não existem limites na casa para ela engatinhar. Ela já levanta sozinha e a gente percebe que ela começa a querer ensaiar alguns passinhos. Cada dia é uma nova conquista e uma novidade que a gente percebe.

No mais, eu continuo a “tocar” a reforma da casa e a festinha de aniversário das crianças. Aos pouquinhos as coisas começam a tomar forma e vou ficando orgulhoso com o que eu vejo, apesar de saber que ainda existe muita coisa para fazer. Como eu falei em um post anterior, o meu desejo é que ela fique feliz e orgulhosa, onde quer que ela esteja.

Amigos, um grande abraço e fiquem com Deus. Amo vocês.


Woltony, Luciana, Pedro e Helena




segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Uma só carne

Pedrinho não queria ficar para trás e resolveu subir também!


Oi amigos,


Mais uma semana começa e parece que o tempo está voando! Esses dias eu escrevia que Dezembro estava chegando e agora já me pego pensando em como será o Natal e que várias coisas que eu gostaria que estivessem prontas ainda não estão. Enquanto isso, a gente segue correndo contra o tempo, fazendo o que o tempo e o coração permitem.

Uma das coisas que o mês de Dezembro trás é aquela sensação de encerramento de um ciclo. Para onde você se vira existem várias confraternizações acontecendo, pessoas programando viagens e famílias se organizando para passarem o Natal. Pois é...não tem como não pensar em Dezembro e não lembrar do Natal e que esse será o nosso primeiro Natal sem a Luciana. Para mim, talvez seja uma das datas mais difíceis de imaginar, de suportar a dor da ausência dela. Quem nos conheceu sabe o quanto a gente curtia o Natal. Lembro até de colocarmos aqui no blog o Pedrinho todo animado com a árvore, de falarmos do quanto éramos empolgados comprando arranjos de Natal e da surpresa que fizeram para a Luciana, quando o coral de natal veio cantar no nosso bloco, numa homenagem linda que fizeram para ela.

Não sei se em virtude desses pensamentos, nos últimos dias tenho me sentido um pouco mais sensível, um pouco mais pensativo. Hoje mesmo, vendo algumas coisas de decoração para a festa da Helena, eu me pegava com aquele nó na garganta, com aquela sensação que a saudade não caberia no meu peito. A moça que me atendeu foi um amor de pessoa e em determinado momento o assunto girou em torno da Luciana. Acabei explicando um pouco da história da Luciana e da Helena e à medida que ela chorava, eu chorava junto. Para mim é sempre maravilhoso falar da Luciana, porém foi uma surpresa eu ter me emocionado, pois geralmente eu travo na frente de outras pessoas. Nem sei muito bem explicar o porquê disso, porque eu sempre fui bem emotivo, mas de um tempo para cá tenho preferido ficar um pouco mais recolhido, um pouco mais “na minha”, se não acabo chorando.

As crianças estão cada dia mais viciantes! Essa foto foi tirada em um momento onde o Pedrinho não queria ficar para trás e subiu em cima de mim também! Eu estava brincando com a Helena e aí ele vinha falando que queria ficar “que nem a Helena”. O problema é que ele praticamente pulava em cima de mim! Nesse dia inclusive ele deu um sustinho em todos nós. Ele apresentou uma febre repentina, de mais de 39 graus, o que nos deixou um pouco apreensivos. Enquanto eu dava banho, sentia o seu corpinho tremendo e se agarrando ao meu. Mais tarde, enquanto eu o colocava no colo, lembrei muito quando ele estava com Laringite estridulosa e a Luciana ficava impaciente querendo ajudar, querendo cuidar, porém sem poder porque estava com a imunidade baixa (ela havia acabado de fazer uma quimioterapia). Falávamos que éramos uma só carne, então se eu estava com o Pedro no colo, era como se ela estivesse também. No meu coração eu ainda sinto que isso é verdade...que a união da nossa família é eterna, por mais que ela não esteja fisicamente conosco aqui.

Essa semana o Pedrinho participará de um evento na escola que se chama “Estrela da semana”. Nessa semana, as professoras colocarão várias fotos dele espalhadas pela sala e a idéia é que ele realmente seja a estrela da turma! Provavelmente na quinta feira eu irei e contarei para os outros coleguinhas um pouquinho da história dele. Mal posso esperar para saber como ele ficará! Estou pedindo a Deus que tudo dê certo e que ele curta bastante.

Hoje eu pensei em escrever também sobre a importância de fazer tudo da melhor maneira possível e de como a Luciana tem me inspirado a fazer isso. Como eu já escrevi um pouquinho, vou deixar esse tema para o próximo post.


Salmo 127 1:2

Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR
não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.
Inútil vos será levantar de
madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus
amados ele o dá enquanto dormem.
Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do
ventre, seu galardão

Um grande abraço e fiquem com Deus. Amamos vocês todos, de coração.
Woltony, Luciana, Pedro e Helena

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Um pouco de nostalgia..


Luciana grávida do Pedro, durante uma das nossas viagens. Achei essa foto hoje, mexendo em algumas pastas antigas do computador. Ela está tão linda que não tinha como nao colocar aqui!
Oi amigos,

Esses dias tenho estado um pouco mais nostálgico do que de costume. Não sei se é o fator Dezembro e as suas tradicionais confraternizações, ou se é simplesmente a saudade, minha velha companheira, que voltou a falar um pouco mais alto. O que sei é que talvez esteja mais pensativo do que antes...mas talvez isso não seja tão ruim.

Uma possibilidade é que nesses últimos dias eu tenho me dedicado a dois projetos muito importantes. Um deles é a reforma do apartamento e o outro é o aniversário das crianças. E como tenho sentido a falta da Luciana para essas coisas! Eu sempre participava de tudo com ela, mas na maioria das vezes me limitava a dizer se achava bonito ou não... de vez em quando eu até arriscava uma opinião! Ontem mesmo eu me peguei escolhendo luminárias, texturas e tapetes...isso sem falar em discutir os detalhes de decoração para a festa da Helena. Ao mesmo tempo que dá um certo medo de fazer essas coisas, eu procuro ficar confiante pois Deus tem colocado pessoas muito especiais que estão me ajudando nisso tudo. Em cada momento eu penso na Luciana e em como seria se ela estivesse aqui, curtindo cada detalhe como ela sempre fez questão de fazer. De qualquer forma, se as coisas acontecerem como estou imaginando, tudo ficará muito bonito e será muito especial dedicar cada projeto desses à Luciana.

As crianças estão cada dia mais maravilhosas. A Helena está tão espertinha...ninguém segura essa mocinha quando começa a engatinhar. Ela já demonstrou que adora celulares...não pode ver a gente ao telefone que já tenta arrancar! E olha...ela tem uma mãozinha forte viu? Já o Pedro continua tão espertinho...dá muito gosto de ver. Eu sempre acho bonitinho quando ele começa a me questionar por que eu tenho que trabalhar, por que eu às vezes saio e não o levo, por que ele não pode comer depois que escova o dente...e para tudo ele sempre tem um bom argumento! Uma das últimas coisas foi assistindo o DVD do roupa nova. Em determinado momento ele cansou e falou que o Roupa Nova ia dormir. Eu já sabia que ele queria era assistir o DVD do Power Ranger, mas eu geralmente não deixo por achar que esse DVD em específico tem algumas coisas um pouco violentas para a idade dele. Quando eu insisti no Roupa Nova ele chegou para mim e disse: Papai, o Roupa Nova não pode porque ele é violento! Todo mundo começou a rir!

Comecei falando que hoje estava um pouco nostálgico, e uma das coisas que fiz nessa minha nostalgia foi ler o post do blog de um ano atrás. O post falava sobre várias coisas mas uma delas era sobre as conversas que tínhamos do quanto estávamos mais perto de Deus...o quanto todo esse processo nos fez nos aproximar do nosso Pai. Eu lembro muito do quanto acreditávamos na cura da Luciana e no nascimento da Helena. Ao longo de todo esse processo, Deus nos foi mostrando e ensinando várias coisas, muitas das quais eu demorei a entender. Ainda hoje eu sinto que tenho um longo caminho a percorrer, pois muitas vezes me sinto só, fraco e sem direção, pedindo a Deus que preencha o enorme buraco que aparece no meu coração. Não faço mais tantas perguntas do tipo Porque, até mesmo porque não sinto mais essa inquietação no coração. Venho pedindo a Deus que me ajude a encontrar uma forma digna de passar por tudo isso, de ser um bom pai e um bom exemplo para a minha família, de forma a glorificar o nome de Deus. Por incrível que pareça, a presença da morte nos ensina várias coisas... a gente vive de uma forma a achar que a vida é eterna...que somos senhores de nós mesmos...que não precisamos pensar na dor ou na morte...mas na verdade, cada dia de vida é uma grande benção para nós. Basta pensar que eu iria onde quer que fosse preciso para ter um dia a mais com a Luciana...apenas um dia a mais...

Amigos, queria agradecer a amizade de todos. Um dia eu ainda gostaria de poder retribuir todo o carinho e amor que vocês sempre demonstraram para conosco. Amo vocês!

Um grande abraço e fiquem com Deus!


Woltony, Luciana, Pedro e Helena

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

5 meses - "O essencial é invisível aos olhos..."

Oi amigos,


Essa semana começa com a expectativa que Novembro está chegando ao fim e logo logo Dezembro dará o ar da sua graça. A gente percebe que o fim do ano está se aproximando quando vê que panetones começam a ser vendidos nos supermercados e que as ruas, as lojas e os shoppings já estão decorados para o Natal.

Pensando no fim do ano, eu fico pensando que talvez a nossa vida seja feita de projetos, de ciclos, com início, meio e fim. Existem coisas que tem ciclos menores (uma viagem, um curso de férias) e outras que tem ciclos maiores (um emprego, um namoro, uma moradia). Daí eu me pergunto se existem coisas que são eternas...coisas que resistem mesmo quando a situação, a realidade e a obviedade mostram que já acabaram. O que vejo é que essas coisas existem sim...talvez só não estejam disponíveis aos nossos olhos. Como já diria a frase célebre do Pequeno Príncipe: “O essencial é invisível aos olhos”. Acho que é nesse terreno, das coisas que são invisíveis aos olhos, onde mora tudo que é eterno.

No último sábado, dia 27 de Novembro, completou-se 5 meses da partida da Luciana. Só de pensar nisso um nó se forma na minha garganta e novamente os meus olhos se enchem de lágrimas. No momento que escrevo escuto uma música que gostaria de ter escutado com ela, de um filme que também gostaria de ter visto ao seu lado. Possibilidades, conjecturas e histórias que não aconteceram. Mas que só de pensar em como teriam sido me fazem rir com o canto da boca. Sim..tudo com ela era intenso e leve ao mesmo tempo, surpreendentemente bom. Não consigo acreditar que já se passaram cinco meses...às vezes acho que foi apenas um mês...às vezes acho que foram dois anos...tanta coisa mudou, tanta coisa aconteceu de lá para cá. Já me mudei de apartamento e agora estou reformando-o. Arrumei um novo emprego e conheci muitas pessoas novas, pessoas que se aproximaram simplesmente com o intuito de me apoiarem, de ajudar o meu dia a ser um pouco menos pesado. Mas uma das coisas que mais me impressiona são as crianças.

Pois é...Pedro e Helena...nossa, como eles estão crescendo...cada dia uma coisa nova! Pedrinho agora está tirando a fralda e para surpresa de todos ele está indo melhor do que esperado! Não quisemos fazer isso antes porque eram muitas coisas acontecendo na vidinha dele e não quis correr nenhum risco de estressá-lo. Mas ele está tirando de letra...claro que no início ele “batizou” alguns cômodos...agora ele só grita e pede “Xixi!!!” e logo saímos correndo para o banheiro com ele. Bonitinho é vê-lo falando depois: “Eu já sou rapaz...não molho nada!!”. Eu comprei várias cuequinhas para ele e ele agora está se achando! A Helena está engatinhando super rápido, mordendo tudo o que vê pela frente e com um sorriso cada dia mais fácil. É tão gostoso colocar ela na cama e ficar mordendo ela inteirinha, escutando o seu sorriso e ver os seus olhinhos brilhando enquanto olha para mim...esperando a próxima mordida!

Voltando ao início dessa postagem sobre coisas eternas, conheci também ao longo desse tempo pessoas que passaram por situações parecidas. Pais que perderam filhos, filhos que perderam pais...esposas que perderam seus maridos, maridos que perderam suas esposas. Alguns mais novos que eu...outros bem mais velhos. Alguns mais recentes, outros nem tanto. Alguns que chegam para mim e dizem que já estão mais bem preparados, que o seu processo de luto está mais maduro, outros que falam que ainda não se conformaram e que ainda se revoltam com tudo o que aconteceu. Mas em todos eles, pelo menos naqueles que tive a oportunidade de conhecer, em algum momento a saudade bate mais forte, o choro irrompe e aquilo que é invisível aos olhos mostra para o mundo exterior que ainda está lá. Não quero ser nenhum pensador nem filósofo, mas o que penso é que o amor é eterno. E a saudade desse amor e de tudo o que ele representa, dói demais.

Antes de me despedir, quero deixar um versículo do livro de João, que lembrei agora:

João 16:33

Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por
aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo

Um grande abraço, uma boa semana e fiquem com Deus!

Woltony, Luciana, Pedro e Helena

PS: A música que estou ouvindo é o tema de um filme chamado “A partida”. É um filme japonês que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Um filme bonito que trata com sensibilidade a questão da morte.
http://www.youtube.com/watch?v=qtVf-KkpX1w&feature=related

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mas o amor é maior..


Calma papai, já estou indo!

Momento pai e filha
Oi amigos,

Eu estava relendo o meu último post e depois fiquei pensando que não sei se fui tão claro. Às vezes é meio difícil para mim entender o que estou sentindo..imagina só traduzir isso em palavras! Quando escrevi sobre seguir em frente e sobre construir uma história bonita, foi pensando que talvez daqui a alguns anos, quando olharmos para trás, veremos que passamos por grandes provações e sofrimentos, mas que mesmo assim conseguimos fazer tudo isso de uma forma tão bonita quanto a situação permitia. Existe uma frase de Eça de Queiroz que diz “Se tua dor te aflige, faz dela um poema.” Para exemplificar, eu até cheguei a pensar em uma conversa hipotética. Imagina que daqui a uns 20 anos, alguém pergunte para o Pedro, para a Helena ou para qualquer pessoa sobre a minha história com a Luciana. Eu imaginei que uma resposta possível seria: “Ele viveu 17 anos com o grande amor da vida dele...uma linda historia de amor... depois que ela faleceu ele sofreu muito..mas depois a vida dele e dos filhos também foi repleta de poesia, ainda que houvesse sofrimento...que aquele amor não foi esquecido, muito pelo contrario, foi um exemplo principalmente para os filhos. Deus os guiou e os sustentou em todos os momentos.”Mas claro...isso é só um exemplo....

Por falar em Pedro e Helena, os dois estão ótimos. O Pedrinho esta cada dia mais engraçadinho...imitando todo mundo! Agora ele começou a imitar o pediatra. Ele pega um boneco do papai noel e fica fingindo que está auscultando. O engraçado é que ele faz do mesmo jeito que o médico dele faz! Depois ele examina a boca do boneco e diz que se ele se comportar vai ganhar um balão do homem aranha! Quando eu contei para o pediatra ele começou a rir! A Helena está super espertinha, engatinhando cada dia mais rápido. Os dois dentinhos já estão bem aparentes e é lindo vê-la sorrindo! Na última consulta o médico falou que ela está com um desenvolvimento ótimo e que ela é bem proporcional (peso x altura). Ela está comendo e mamando muito bem. O próprio pediatra fala o quanto ela é um milagre.

Ontem eu discuti com a arquiteta o projeto para a reforma lá de casa. Não é propriamente uma reforma, mas mais uma “maquiagem”...a idéia é colocar a casa da forma mais aconchegante possível. Isso tudo está sendo bom, porque sei que a casa vai ficar mais bonita e espero que as crianças gostem muito dos quartinhos novos, mas para isso eu devo me desfazer de alguns móveis. Sei que são apenas coisas materiais, mas como cada uma delas tem uma história, eu sempre fico tentando reaproveitar tudo. De qualquer forma, eu volta e meio me pego pensando que a Luciana iria gostar muito do projeto...apesar de saber que ela seria capaz de dar meia dúzia de sugestões que fariam toda a diferença e que deixaria tudo mais bonito!

Esses dias ouvi uma frase muito linda, do filme Tristão e Isolda. A frase é assim: “Não sei se a vida é maior do que a morte, mas o amor é maior do que ambas.” Às vezes me pego pensando se um dia eu a reencontrarei, se ela ainda sabe o quanto a amo ou se onde ela está ela é capaz de sentir o meu amor por ela. Sei que existem várias explicações para essas perguntas...mas prefiro simplesmente pedir a Deus que cuide dela por completo, que a proteja e guie sempre.

Uma outra coisa que tem me feito lembrar muito dela é a proximidade do Natal. Ano passado nós falamos o quanto sempre fomos empolgados com o Natal e com todos os preparativos. Arrumar a árvore, tirar foto do Pedro, comprar novos enfeites...tudo isso era uma festa. Eu pretendo montar novamente a árvore de natal e fazer boa parte das coisas, mas não sei se será fácil...aliás, tenho certeza que não será.

Ontem lembrei de uma frase que escutei lá no hospital, enquanto conversava com uma mãe que acompanhava o filho, de apenas 10 anos, em um tratamento de leucemia. Ela falou assim: “Me perguntam se eu não me revolto contra Deus, se não penso em abandoná-lo. Mas como abandoná-lo se é justamente agora que eu mais estou precisando dEle!” Engraçado como foi justamente assim que me senti logo depois que a Luciana partiu..e ainda hoje me sinto muito assim. Já tive momentos de angústia, de raiva, de me sentir injustiçado...mas mesmo nessas horas eu me sinto abraçado...suportado por Ele mesmo. Muita gente fala que tem me achado forte...mas o que sinto é que se não fosse por Ele, eu jamais estaria assim. Afinal de contas, nada pode nos separar do amor de Deus...não por nós...mas pelo imenso amor dEle.

1 Tessalonicense 5: 17 e 18

Orai sem cessar.
Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em
Cristo Jesus para convosco
Amigos, vou ficando por aqui. Que Deus esteja sempre a guiar e iluminar a vida de cada de um vocês!

Um grande abraço,

Woltony, Luciana, Pedro e Helena

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sobre seguir em frente

Oi amigos,


Primeiro queria agradecer as diversas ligações, mensagens e emails em virtude do meu aniversário! Foi muito especial receber todo esse carinho, ainda mais numa data que misturou sentimentos tão conflitantes. Nada como um dia após o outro para as emoções acalmarem, até que venha uma próxima maré e o coração balance novamente.

Falando um pouquinho das crianças, está muito legal curtir essa fase deles, pois a cada dia aparecem mais novidades. Os dentinhos da Helena já estão bem aparentes e ela fica tão linda quando sorri aparecendo as duas pontinhas brancas! Ela está cada dia mais espertinha. Já podemos dizer até que ela está começando a engatinhar, ainda que muitas vezes ela comece, aí dá uma roladinha para o lado, e depois recomeça. O importante é que ela chega ao destino dela. O Pedrinho hoje foi a uma pizzaria com os meus pais e fez o maior sucesso com as mulheres...rsrsr. Meus pais disseram que ele fez um “jóia” para um grupo de moças que estava numa mesa e logo logo ele estava no meio delas! E ele veio contando essa história para mim todo feliz...rsrs. Eu brincava com a Luciana que ia chegar uma fase que iriam ligar para casa e falar para ela: “Por favor, o Pedro está? Aqui quem fala é uma amiga!”. Quando eu falava isso ela só respondia...não esqueça que tem a Helena!!!

Hoje eu queria falar um pouco sobre um assunto que foi tema da minha última conversa com a psicóloga e que é algo que muita gente fala para mim...a importância de seguir em frente. Essa frase é quase uma unanimidade, porém é muito difícil conceituar ou definir o que seja seguir em frente. Eu lembro que assim que a Luciana faleceu, alguém disse para mim que com o tempo as pessoas iriam voltar para as suas vidas, seus afazeres e eu iria continuar com a minha saudade, com a minha dor e com a minha lembrança, porém também com os meus afazeres. E que isso talvez causasse uma certa cobrança para que eu aos poucos fosse levando ou mesmo refazendo a minha vida, do jeito que desse. E o como fazer isso é que eu acredito que possa variar de pessoa para pessoa.

Desde que eu e Luciana nos conhecemos, passamos por vários momentos difíceis, momentos em que muitos apostaram que terminaríamos, momentos onde os conselhos que escutávamos era que devíamos aproveitar mais a vida, pois ainda éramos muito novos para um namoro tão sério. O que pensei foi que que sempre seguíamos o nosso coração, e graças a isso pudemos construir uma história de amor muito linda, da qual eu me orgulho muito e peço a Deus a oportunidade de poder contar para o Pedro e para a Helena. Meu maior desejo hoje é poder continuar essa história linda a partir de agora, mesmo depois de tanta coisa triste que aconteceu. Não que eu me sinta preparado para isso, muito pelo contrário. Ainda me sinto muitas vezes paralisado pelo luto, mas algo em mim começa a despertar. Construir uma história linda, assim como foram todos os anos de namoro, noivado e casamento...porém agora sem a presença física dela. Sinto que Deus nunca me abandonou e, ainda que muitas vezes eu tenha me sentido sozinho, sei que Ele está cuidando agora de mim e das crianças, bem como de todos os nossos familiares que ficaram aqui. Da Luciana, eu tenho certeza que Ele está cuidando.

Aproveito para deixar um trecho do Salmo 139, que a Luciana tanto gostava e que algumas vezes já colocamos aqui:

Salmo 139: 23 e 24

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus
pensamentos;
vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho
eterno.

Um grande abraço meus amigos. Fiquem com Deus e tenham um ótimo fim de semana!

Woltony, Luciana, Pedro e Helena
PS: Hoje arrumando o Pedro observei que ele tem uma marquinha em cima do umbigo, igual ao da Luciana. Eu me emocionei muito ao ver isso. E aí pensei que ela está sempre presente conosco...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mais um ano de vida

Oi amigos,


Como alguns de vocês devem saber, hoje eu estou fazendo 33 anos de idade. Fazer aniversário no feriado do dia 15 de Novembro tem várias vantagens, e uma delas é que pelo fato de não haver trabalho você pode pensar um pouco mais sobre o que significou esse ano de vida que foi completado.

Eu nem preciso detalhar muito como foi esse meu último ano, pois os fatos mais marcantes estão escritos aqui no blog. No meu aniversário do ano passado, a Luciana já havia feito a primeira quimioterapia e lembro-me dela muito animada, querendo que cada momento meu fosse mais do que especial. Ela queria fazer uma super festa para mim, e dizia que assim que ela ficasse curada do câncer a gente ia fazer um super festa. Hoje eu estava lendo o que ela escreveu ano passado e vi inclusive isso descrito.

Ontem fomos a um restaurante para comemorar o meu aniversário e ao final cantaram parabéns para mim. Claro, foi muito bom ver o carinho de todos, ainda mais porque todo mundo que estava lá sabia como eu me sentia. Mas na hora dos parabéns foi muito difícil segurar o choro e a saudade, pois era nessa hora que a gente se entreolhava, que eu a via olhando nos meus olhos e aí então eu agradecia a Deus pelo meu maior presente de aniversário...tê-la ao meu lado! Isso não tinha e nunca terá preço. É muito difícil comemorar algo, ainda que seja um ano de vida, sabendo que não tenho aquela que dava sentido a tudo na minha própria vida.

A minha irmã me mandou hoje um e-mail muito carinhoso. Nesse email ela falou que hoje seria uma data que com certeza a Luciana colocaria um post muito carinhoso falando do meu aniversário. Aí ela aproveita e escreve um recado carinhoso, que quero compartilhar com vocês aqui.

Texto da Michelle:

Hoje tomei a liberdade de escrever um pouco sobre o Woltony, meu irmão amado e querido. Sei que se a Lu estivesse aqui ela escreveria páginas e páginas sobre esse dia que sempre foi e sei que ainda continua sendo importante pra ela....que é o aniversário do Woltony.

Infelizmente os planos de Deus não coincidiram com os nossos.....e hoje em dia ela está cuidando do meu irmão de uma outra forma. Por isso decidi escrever, pois acho que não posso deixar essa data passar em branco....e escrevo tanto por ele, como por ela.

Na minha casa minha mãe sempre repete que o Woltony é um filho que já veio pronto......e que meus pais nunca precisaram se esforçar muito para que ele fosse o melhor...porque ele já era o melhor de qualquer forma.

A admiração, o carinho e o amor que todos nós temos por ele é algo impar, sendo que todos esses sentimentos se estenderam à minha querida cunhadinha com a sua chegada em nossas vidas, quando eles começaram a namorar.

Queria dizer que todos esses sentimentos se fortalecem a cada dia em meu coração em relação a você meu irmão amado e querido.

Repeti para você e para a Lu por diversas vezes que vocês eram e continuam sendo o exemplo claro para mim da expressão “uma só carne”.

Gostaria de dizer apenas que esse exemplo continua valendo pra mim. Que meu amor por você e por ela só aumenta, bem como minha admiração e carinho.

Rezo todos os dias para que ela esteja bem e feliz com o nosso bom Deus e para que Ele possa te dar forças e tudo o que for preciso para que você continue a sua caminhada.

Peço especialmente a Deus que te ilumine e te ajude a passar por todas as datas comemorativas, pois imagino como é difícil “comemorar” algo sem a Lu com você.

Conte comigo sempre. Te amo muito. Parabéns!

Beijos,

Michelle

Eu sempre dizia para a Luciana que eu havia nascido no dia 15 de Novembro de 1977, mas que nasci de novo quando eu a conheci. A minha vida realmente mudou de uma tão forma única e maravilhosa que parecia que eu nunca havia vivido antes. Não posso negar que naquele dia 27 de Junho de 2010 uma boa parte de mim morreu também. Peço a Deus que me ajude e me guie nesse processo de restauração...sei que ela nunca gostaria de me ver triste.
Um grande abraço meus amigos. Fiquem com Deus e tenham uma ótima semana.

Woltony, Luciana, Pedro e Helena

sábado, 13 de novembro de 2010

Um pouquinho de nostalgia...

Oi amigos,

Hoje é sábado e o tempo aqui em Brasília está chuvoso. São três horas da tarde e acabei de colocar o Pedrinho para dormir. Antes de sair do quarto ele pediu para eu ficar deitado um pouquinho ao lado dele. Mesmo que eu saia logo em seguida, ele gosta quando fico um pouquinho no quarto com ele, contando algumas histórias ou simplesmente olhando para ele.

Hoje de manhã eu e a Tia Márcia aproveitamos para levar a Helena para fazer um exame de sangue. Essa é uma tarefa que ficamos sempre enrolando, pois a nossa princesa acaba sofrendo muito. Além de ela ser pequeninha, ela tem as veias muito finas (A Luciana também tinha as veias muito finas, e logo falávamos que o ideal era alguém acostumado com veias de crianças.), e sempre acabam demorando muito para localizar a veia e tirar o sangue. Isso sem falar no tempo que o bracinho dela ficou com o garrote (aquele elástico que usam). Nossa...como ela chorou...ela gritava com todas as forças e ainda por cima olhava para a gente, meio que suplicando ou não entendendo porque estávamos deixando fazerem aquilo. Pelo menos já passou e agora só falta dar ainda algumas vacinas para ela na semana que vem.

Eu hoje comecei falando sobre o tempo porque parece que essa chuvinha me deixa mais nostálgico. No início do nosso namoro, a gente andava muito de bicicleta no parque da cidade e quantas vezes não tomamos banho de chuva enquanto andávamos. No primeiro apartamento onde moramos havia uma pequena sacada, porém com o tamanho suficiente para colocarmos duas cadeiras. Em dias de chuva, o nosso programa favorito era sentar lá e ficar contemplando as gotas de chuva caindo no campinho de areia em frente ao nosso prédio. Mas o bom é que havia todo um ritual para isso..rsrsrs. A Luciana pegava um casaco ou mesmo um cobertorzinho que ela tinha e ficava toda agasalhada. De vez em quanto abríamos um vinhozinho e ficávamos lá...conversando...por horas e horas seguidas.

Quando converso com algumas pessoas sobre a gente, eu volta e meia escuto que a nossa história de amor era muito bonita e que eu deveria ser muito grato por isso. Quando penso em momentos assim, como esse que eu acabei de descrever, eu concordo que a nossa história de amor foi e ainda é muito bonita. Mas sabe...ainda dói muito. Dói a saudade...dói saber que agora esses momentos ficaram nas lembranças, ficaram eternizadas na minha memória e no meu coração. O consolo é saber que eles foram muito bem aproveitados.

Esses dias lembrei de uma música do Roberto Carlos (só para variar). Sabe quando você se pega cantando no carro, quase sem pensar, e aí começa a prestar atenção na letra? Pois é, foi um daqueles momentos que a gente vê alguns versos numa música explicando muito bem como estamos nos sentindo. A música se chama “As canções que você fez para mim” e a parte que me chamou atenção foi a seguinte:

É tão difícil olhar o mundo e ver
O que ainda existe
Pois sem você meu mundo é diferente
Minha alegria é triste
Quantas vezes você disse que me amava tanto
Tantas vezes eu enxuguei o seu pranto
E agora eu choro só sem ter você aqui

Lembrei principalmente desse último trecho. Lembrei de quantas vezes, nesses 17 anos, a Luciana chorou apoiada no meu ombro, sentada debaixo do bloco, nas escadas ou ao telefone. Não teve como não lembrar também dos choros tristes e outros felizes depois que casamos. Eu peço muito a Deus que esteja guardando-a e protegendo-a, onde quer que ela esteja, uma vez que agora não posso mais estar ao seu lado.


Amigos, vou ficando por aqui. Que todos tenham um ótimo fim de semana, repleto de muitas bênçãos e muito amor.

Um grande abraço e fiquem com Deus

Woltony, Luciana, Pedro e Helena

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Detalhes...

Oi amigos,


Esses dias foram um pouco corridos. Os compromissos no trabalho estão aumentando, têm surgido mais algumas viagens e no meio do dia a dia a gente vai procurando se organizar. Eu acabei de chegar de viagem (estava em SP) e no avião vim pensando sobre várias coisas.

Eu e a Luciana sempre tínhamos um cuidado muito grande um com o outro. Eu penso e vejo que a nossa vida era recheada de pequenos gestos de carinho, pequenos gestos que me fazem lembrar de uma música do Roberto Carlos que diz : “detalhes tão pequenos de nós dois, são coisas muito grande para esquecer...”. Nessas viagens que faço minhas recordações são geralmente sobre esses detalhes. Tínhamos um costume de fazer uma pequena oração antes de cada viagem. Assim que o avião começava a andar, ela apoiava a cabeça no meu ombro e pedia a Deus que protegesse a nossa viagem. Eu depois fazia o mesmo. Começamos isso na nossa primeira viagem juntos e mantivemos esse nosso pequeno ritual até a última. Eu ainda hoje faço essa oração, agora sempre lembrando do seu rosto apoiado no meu ombro.


Outra coisa que pensei é que o luto é uma coisa muito difícil de entender...parece que é diferente de tudo o que a gente já ouviu falar sobre frustrações ou superações. Esse fim de semana eu fui a um casamento de uma amiga muito querida. Não é o primeiro casamento que vou depois que a Luciana se foi. Os outros que fui eu até que fiquei bem, melhor do que eu esperava. Pensei que nesse seria a mesma coisa...mas não. Eu desabei. Desabei de um jeito que até eu me surpreendi, pois acabei demonstrando. Ao ver a noiva, tão linda quanto ela merecia estar, lembrei muito da minha esposa...do quanto ela brilhava naquele dia do nosso casamento. Lembrei do seu jeito de sorrir, lembrei dela sorrir abaixando a cabeça quando falei que iria beijá-la e tirar todo o seu batom. Lembrei da emoção das pessoas ao vê-la entrando na igreja. Enfim...acho que não existem regras, não existem comportamentos esperados.


Mudando um pouco de assunto, essa semana estou tentando me animar com algumas coisas. Uma delas é que estou pensando em ajeitar algumas coisas em casa, fazer uma pequena reforma. Eu mal me mudei e já estou querendo mexer né? Mas tem algumas coisas que acho que vão dar um toque especial, principalmente no quarto das crianças. Acho que a Luciana iria gostar também.


Eu hoje também tive uma ótima notícia, logo pela manhã. Nasceu o Nathan, filho da nossa queria amida Marília. Parabéns para essa família tão especial, que tanto esteve conosco durante vários dos momentos mais difíceis que tivemos. Amigos são um grande presente de Deus.


O Pedrinho esses dias ainda está um pouco resfriado, porém também tem acordado algumas vezes à noite com pesadelos. Eu não sei exatamente porque, mas ele acorda muito assustado, se debatendo, e só colocando ele no colo que ele acalma. Isso me faz lembrar muito de quando ele era menorzinho...volta e meia ele acordava assustado ou então conversando enquanto dormia. A Luciana também muitas vezes tinha pesadelos e conversava a noite. Quantas vezes eu tinha que acalmá-la, abraçá-la ou segurar um pouco a sua mão para que ela pudesse voltar a dormir tranqüila. O bonitinho era que ela não lembrava de nada no outro dia.


Helena continua super fofa, agora com o segundo dentinho já despontando. Nem preciso dizer que ela fica bem agoniada, toda hora querendo coçar o dentinho. Hoje ela me deu um sorriso que me fez sentir muito especial...é tão bom saber que uma criaturinha tão pequena fica feliz em te ver!


Amigos, vou ficando por aqui. Esses dias falei que comentaria algumas coisas sobre a nossa vida né? Uma espécie de pequena biografia. Pois bem...um detalhe que a gente gostava de falar era que a Luciana nasceu no dia 15 de Maio de 1977, em São Paulo. Eu nasci no dia 15 de Novembro de 1977 (exatamente 6 meses depois), em Brasília. Por coincidência, o Pedro nasceu em Brasília e a Helena nasceu em São Paulo, no mesmo hospital que a Luciana. Apesar de eu ser mais novo 6 meses, a Luciana sempre aparentou ser bem mais nova! Como falavam, ela sempre teve uma carinha de bebê....


Antes de me despedir, deixo um versículo que li esses dias e que venho meditando:


Salmo 33:4

Porque a palavra do SENHOR é reta, e todo o seu proceder é fiel.

Um grande abraço meus amigos e tenham uma ótima semana! Fiquem com Deus!


Woltony, Luciana, Pedro e Helena

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A saudade que não passa

Olha a foto dos meus dois tesouros!!!

Oi amigos,

Muitas vezes já escrevi aqui falando sobre a filosofia do viver um dia de cada vez. Nem preciso dizer que a adoção a esse estilo foi meio que obrigatória, desde que descobrimos o câncer. Não existia um dia sequer que era igual ao outro. O ruim é quando a gente percebia um certo padrão, ou seja, existia uma seqüência de dias onde alguns acontecimentos incomodavam muito. Claro que era bom quando a gente percebia o contrário e uma maré de dias bons nos visitava.

Bem, de uma certa forma isso ainda acontece hoje. Eu falei no post anterior que não imaginava que o dia de finados fosse me abalar tanto, uma vez que para mim todo dia seria como o dia 02 de Novembro. Mas eu me enganei. Eu me enganei por um detalhe que me escapou. Quando falei aquilo estava pensando só em mim, mas durante o dia eu pude ver o quanto várias outras pessoas sentiam a falta da Luciana, o quanto a consideravam especial, principalmente quando eu fui ao cemitério. E isso me tocou profundamente. Fiquei emocionado ao ver meus familiares chorando por ela...fiquei emocionado ao ver que existiam outras flores, fora aquelas que eu já havia colocado. Fiquei emocionado ao pensar que um sem número de pessoas tinha lembrado-se dela naquele dia, pessoas que eu nem conheço mas que só pelo fato de desejarem algo bom para a minha amada já me deixam feliz.

Impressionante como a saudade não passa. Eu sempre falava para a Luciana que eu a amava mais do que ontem e menos do que amanhã. Eu só via o meu amor, o nosso amor, aumentando. E isso hoje, mesmo depois de mais de quatro meses que ela partiu, ainda é verdade. As sensações são diversas e a falta que ela me faz são coisas que não consigo medir nem explicar.

Hoje me peguei olhando as fotos do nosso casamento. Tem horas que eu olho e não acredito que tudo isso aconteceu conosco...que aquele casal tão feliz na foto hoje não está junto, que aquela moça tão linda com o seu sorriso foi vítima de uma doença horrosa. Por mais que eu saiba que construímos uma linda história, por mais que eu saiba que aquele casal foi abençoado com duas crianças lindas e eu fui muito abençoado por ter tido a oportunidade de viver tudo isso, não tem jeito...eu sinto muita falta dela...muita mesmo.

Escutei uma música hoje no rádio. Tem momentos que algumas músicas nos pegam dê surpresa. Como aquela onda que vem quando você menos espera e te dá uma rasteira. Mas nesses casos eu não me incomodo. Nem sempre é ruim chorar de saudade. Aqui vai a letra.


Orfeu
http://letras.terra.com.br/toni-garrido/1618830/
Toni Garrido

Mar sob o céu, cidade na luz;
Mundo meu, canção que eu compus;
Mudou tudo agora é você.

A minha voz que era da
amplidão;
Do universo, da multidão;
Hoje canta só por você.

Minha mulher, meu amor,
meu lugar
Antes de você chegar era tudo saudade.

Meu canto
mudo no ar;
Faz do seu nome hoje o céu;
Da cidade
Lua no mar estrelas no chão;
Aos seus pés entre as suas mãos;
Tudo quer alcançar você

Levanta o sol do meu
coração
Já não vivo nem morro em vão
Sou mais eu porque sou você

Minha mulher, meu
amor, meu lugar:
Antes de você chegar era tudo saudade.

Meu canto
mudo no ar;
Faz do seu nome hoje o céu;
Da cidade
Lua no mar estrelas no chão;
Aos seus pés entre as suas mãos;
Tudo quer alcançar você

Levanta o sol do meu
coração
Já não vivo nem morro em vão
Sou mais eu porque sou você

Um dia eu escutei essa música, prestei atenção na letra e achei linda. Na mesma hora eu mandei um email para ela. Em seguida liguei para o trabalho dela, pedi para ela abrir o email e cantei para ela. Minha voz é péssima mas acho que ela gostou. Valeu a intenção né?

As crianças estão bem, graças a Deus. Pedrinho já esta bem melhor e a Helena está se revelando uma devoradora de papinhas. Muito bonitinho! O dentinho dela já está aparecendo bem e já estamos esperando nascer o próximo.

Amigos, vou ficando por aqui. Procurei colocar um pouquinho o que tem se passado no meu coração. Um pequeno retrato de como estou me sentindo. Obrigado por estarem comigo.
Antes de me despedir, deixo um versículo que li hoje:

Salmos 86:8

Não há entre os deuses semelhante a ti, Senhor; e nada existe que se compare às
tuas obras.

Um grande abraço e fiquem com Deus!

Woltony, Luciana, Pedro e Helena

domingo, 31 de outubro de 2010

Primeiro dentinho da Helena!



Olha que linda está a minha princesa!





Pedro com uma capa de fralda! (Para ele é a capa do Batman!)
Oi amigos,

Hoje resolvi compartilhar algumas fotos das crianças. Já estava na hora né? É maravilhoso poder ver e acompanhar como eles estão crescendo, como de repente a gente para e pensa: “Meus Deus, como o Pedro está grande!” ou então “Nossa, não dá para acreditar que a Helena está tão esperta!”. Aliás, ontem apareceu o primeiro dentinho da Helena! Todo mundo estava tão radiante que até saímos para comemorar! É um milagre pensar em todas as circunstancias da gestação e do nascimento da Helena e hoje poder testemunhar o seu primeiro dentinho aparecendo. Obrigado Deus por isso!

Ainda falando das crianças, uma coisa que sempre penso e que até acho que já comentei por aqui é a importância da presença delas na vida da nossa família. Com certeza precisamos muito mais deles do que eles da gente! Às vezes paro para pensar e acho que muitas decisões que tomo são muito mais pensando neles do que em mim mesmo...mas também não teria como ser diferente. Tenho sentido o meu lado paternal crescendo cada vez mais. A minha psicóloga fala que eu durante um bom tempo me concentrei mais no meu lado marido, e agora depois de tudo o que aconteceu, é natural que o meu lado paterno venha aparecendo com mais força. Até tenho repensado algumas questões profissionais por conta deles. Enfim, tenho pedido a Deus que me ajude cada dia mais a ser um bom pai para os nossos filhos e que eu, como pai, possa ser um instrumento para eles se tornarem pessoas do bem.

Algumas pessoas me perguntaram sobre como eu me sentia com a proximidade do dia de finados e sendo bem sincero, para mim não muda em nada. Eu acho que um feriado é feito para você dedicar aquele dia para um fim específico. No caso do dia 02 de Novembro, é em especial para aqueles que já partiram. No meu caso, não há um dia, uma hora ou mesmo um minuto em que eu não pense na Luciana, em que eu não deseje tê-la ao meu lado. Assim, o dia de finados acaba sendo um dia como os outros. Para mim tem muito mais significado pensar que no dia 29 de Outubro do ano passado foi o dia fatídico que fizemos o PET/CT e confirmamos o câncer no pulmão, que no dia 30 de Outubro nós fomos para SP com a Luciana mal conseguindo respirar no avião e que no dia 01 de Novembro ela fez a primeira sessão de quimioterapia. Essas sim são datas importantes para mim e que lembro como se fosse ontem.

Amigos, vou ficando por aqui! De coração, que Deus continue sempre a abençoar a vida e todos os caminhos de cada um de vocês.

Antes de terminar queria colocar um versículo que lembrei aqui e que sempre penso em com o a Luciana foi uma esposa que Deus colocou na minha vida.

Provérbios 19:14

A casa e os bens são herança dos pais; porém do SENHOR vem a esposa prudente.

Um grande abraço e fiquem com Deus!

Woltony, Luciana, Pedro e Helena







quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Quatro meses sem o meu amor...

Oi amigos,

Já passa da meia noite e estou aqui, prestes a escrever mais um post enquanto a minha cabeça tenta concatenar algumas idéias nesse dias tão difícil. Hoje faz 4 meses que a Luciana partiu. Ainda tenho dificuldade para falar isso...tento de alguma forma suavizar a expressão, como aquela pessoa que para mexer em um machucado toca bem devagarzinho, já esperando a dor que com certeza vai acontecer.

Poxa vida, mas qual a diferença entre hoje e ontem? Ou entre hoje e amanha? Tecnicamente nenhuma...a não ser a grande diferença que hoje nós lembramos mais claramente como foi o dia 27 de Junho, enquanto nos outros dias parece que os pensamentos são mais misturados entre as lembranças e o presente, entre a falta e a saudade. O meu sogro hoje já acordou chorando, revendo algumas fotos da Luciana. Quando nos encontramos, os olhos já se entreolharam reconhecendo que por trás deles existia uma alma que chorava pela perda de uma filha, de uma irmã, de uma neta, de uma cunhada, de uma nora...de uma esposa. Não tem jeito...a saudade não passa...o vazio não diminui...a dor continua....a gente simplesmente vai aos poucos convivendo com tudo isso.


Hoje levamos a Helena para fazer o teste da orelhinha, exame que ela tem que repetir desde que saiu da maternidade. Como ela não ficava quietinha (ta tão esperta essa princesa!), vamos repetir o mesmo exame na semana que vem. Hoje o Pedrinho estava bem manhosinho...criança quando fica doentinha parece que fica mais manhosinha, não é mesmo? Nada que um bom colinho e umas brincadeiras de cócegas não resolvessem. Hoje graças a Deus ele não teve febre. Daqui de onde estou escrevendo escuto de vez em quando as tosses dele. Com fé em Deus amanhã ele já estará bem melhor.


Essa semana eu viajo novamente. Vou na sexta para Uberlândia e volto no sábado. Às vezes essas viagens cansam um pouco...principalmente por estar longe das crianças. Tenho procurando ficar mais tempo presente com eles, seja com o Pedro ou com a Helena. Ainda é tudo muito louco pensar que acumulo as funções de pai e mãe ao mesmo tempo. Não digo que sou mãe porque esse lugar sempre será da Luciana. Não queria que isso atrapalhasse a formação deles como pessoa e peço a Deus a oportunidade de fazer da melhor forma possível o meu papel, dando o suporte emocional que eles tanto precisam, ajudando e guiando sempre na formação do caráter e dos valores. Agradeço a Deus também por ter familiares que tanto ajudam nisso.


Hoje faz um ano que começamos o blog. Lembro da Luciana perguntar para mim no dia 26 de outubro: “Amor, como se faz um blog?”. Eu nunca tinha feito um, então falei como eu achava que seria e ela pediu a minha ajuda. No outro dia (dia 27 de Outubro), quando acordei ela já estava sentada na frente do computador, toda compenetrada. Ela me olhou com um olhar de quem estava entusiasmada com alguma coisa e falou: “Baby (ela me chamava muito de baby), vem ver como está ficando o blog!”. Ela nem esperou eu acordar...já foi fuçando e criando esse espaço aqui. Todas as cores e textos iniciais foi ela quem colocou. A única coisa que coloquei depois foi o contador. Ela falava que serviria para se comunicar com todo mundo e manter todos atualizados. Isso sem dúvida foi um dos grandes motivos dela querer criar o blog. O que talvez nem todos saibam é que ela sempre dizia que sentia algo no coração, que sentia que Deus queria que ela compartilhasse essas história com outras pessoas e que criar o blog era algo que Deus colocava no coração dela. O nome veio naturalmente, pois tudo que fazíamos era sempre assinado como lucianaewoltony. Assim, ela sempre repetia para mim: “ O blog é nosso!”. Quando ela escrevia, eu revisava...quando eu escrevia ela revisava. A Luciana sempre escreveu muito bem (muito melhor do que eu), então aos pouquinhos ela foi me dando algumas dicas e me ajudando a escrever de uma forma mais agradável. Nunca imaginávamos que tantas pessoas nos acompanhariam e torceriam por ela, pela Helena, pela gente. Isso com certeza fez muita diferença no tratamento, pois receber todo esse carinho revigorava as suas forças. Parece que eu ainda a vejo, sentada na cama do hospital lendo os recados ou então pedindo para eu ler para ela, quando ela estava se sentindo muito cansada.


Hoje eu olho e não consigo entender como estou aqui, escrevendo para vocês. Quatro meses sem o amor da minha vida são uma eternidade. Não faço mais planos...ou melhor, meus planos se resumem a 24 horas. Continuo vivendo um dia de cada vez.

Amigos, fiquem com Deus. Acho que aproveitei hoje para desabafar um pouco. Obrigado pelo “ombro virtual”.


Um grande abraço e fiquem com Deus!

Woltony, Luciana, Pedro e Helena

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Parabéns pelos seus 8 meses minha princesinha!

Oi amigos,


Como falei em um dos últimos posts, a minha noção de tempo ultimamente está meio prejudicada. Constatei isso hoje, pois não tinha idéia que fazia tanto tempo que eu não atualizava o blog! Tomei um susto até quando percebi a quantidade de coisas que aconteceram nos últimos dias e eu nem coloquei aqui! E o engraçado é que toda hora me pego pensando assim: “isso eu tenho que contar para o pessoal!”.

Esse fim de semana foi a comemoração do aniversário do Guilherme (ou como o Pedro o chama – Guizão). A festa estava linda e todos ficaram muito felizes em ver a alegria do Guilherme e como tudo estava muito bem montado. Nem preciso dizer que a Helena foi uma atração a parte durante a festa né? Muita gente ainda não a conhecia e para aqueles que já a conheciam, não imaginavam que ela já estava tão grandinha! Não tinha uma pessoa que não se aproximasse e não quisesse segurá-la um pouquinho. E ela é tão boazinha que não chorou em nenhum momento...aliás, chorou quando foi a hora do parabéns , pois acabou se assustando com o estouro dos balões. Tadinha...ela começou a fazer aquele biquinho de quem começa a chorar...é tão fofinho mas também corta o coração! O Pedrinho também adorou a festa...não parava de correr! Ele suava tanto que dava gosto de ver o quanto ele aproveitou a festa. Não sei se ele suou muito e pegou friagem depois, o fato é que de sábado para cá ele está meio resfriadinho, com um pouquinho de febre. Hoje, por coincidência, é dia de consulta dele. Vamos ver o que o pediatra vai falar.

Durante a festa, toda hora eu lembrava da Luciana. Nessas ocasiões, ela parecia ocupar todo o ambiente com a sua presença e com o seu jeitinho especial. Ela distribuía sorrisos e conversava com todo mundo. Não tinha quem não se encantasse com a sua presença! Aliás, eu reencontrei alguns amigos na festinha que me falaram justamente isso...em como a Luciana tinha um sorriso lindo e marcante. Acho que quem a conheceu sabe justamente do que estou falando. Ela não só sorria com os olhinhos fechados...ela sorria com o coração.

Eu estava em São Paulo esses dias e fui visitar um casal de amigos (ele está com câncer) que estava lá no hospital onde a Luciana se tratou. Graças a Deus ele está se recuperando, apesar de vermos que nada melhor que pensar em um dia por vez, pois o tratamento também está maltratando bastante o seu corpo. Sem querer, eu acabei reencontrando muitas pessoas conhecidas, entre médicos, enfermeiras, auxiliares e secretárias. Todos queriam saber como eu estava, como estava a Helena e o Pedro. Muita gente conhecia o caso da Luciana e torcia e se preocupava conosco. Fiquei chateado por descobrir que uma das enfermeiras que havia cuidado da Luciana havia falecido, em virtude de um acidente de carro. Lembro muito do jeitinho alegre dela, conversando com a Luciana sobre filhos. Na hora lembrei da frase do meu amigo, que escrevi no último post: “Na verdade, somos todos terminais!”

Principalmente lá no hospital, muita gente se aproximou de mim e disse que eu parecia estar muito forte, que não sabiam como eu conseguia voltar ao hospital, voltar ao andar onde a Luciana passou os seus últimos dia e como eu estava conseguindo tocar algumas coisas da minha vida, apesar do pouco tempo de partida da Luciana. Eu nem sei o que responder e na verdade é até um pouco irônico porque a última coisa que tenho me sentido nesses últimos tempos é forte. Procuro simplesmente não pensar nisso e ouvir um pouco o meu coração. Pode até parecer um contra-senso, mas por mais que seja doloroso, eu consigo voltar ao hospital, porém não consigo ir a vários lugares onde íamos juntos (tem um restaurante inclusive que me dá um aperto no coração só de pensar em voltar lá). Não sei o porquê disso...só sei que consulto o meu coração a cada passo desses e procuro respeitá-lo. Esses dias escutei uma música que me fez pensar como eu estou...vou escrever a letra aqui:

Composição: Nelson Cavaquinho / Augusto Garcez / Cyro Monteiro

Se eu for pensar muito na vida
Morro cedo, amor.
Meu peito é forte,
Nele tenho acumulado tanta dor.
As rugas fizeram residência no meu rosto
Não choro pra ninguém
Me ver sofrer de desgosto.

Eu que sempre soube
Esconder a minha mágoa.
Nunca ninguém me viu
Com os olhos rasos d'água.
Finjo-me alegre
Pro meu pranto ninguém ver.
Feliz aquele que sabe sofrer

Antes de me despedir, queria só deixar que hoje é dia 25 de Outubro, e hoje a nossa pequena Helena está fazendo 8 meses de vida! Parabéns minha linda princesinha!

Ah...uma outra coisa. Alguns amigos escreveram fazendo algumas perguntas. Vou escrever melhor sobre elas no próximo post, mas para adiantar, vou escrever rapidinho. A primeira é sobre onde a Luciana trabalhava. A Luciana se formou em direito e o seu último emprego era como servidora do Ministério Público da União, onde trabalhava como assessora em um gabinete. A outra pergunta é se eu já sonhei com a Luciana. Sim, eu já sonhei algumas vezes com ela. Eu sou muito ruim para sonhar...é muito difícil eu lembrar de algum sonho. Mas já sonhei algumas vezes com ela e foram todas muito boas. Mas confesso que eu gostaria tanto de sonhar mais...

Eu estou pensando em fazer uma pequena biografia nossa em alguns posts. Aí nesses eu aproveito e conto mais sobre o que ela fazia, sobre onde ela estudou, onde trabalhou...

Amigos, um grande abraço e fiquem com Deus! Estou feliz por ter escrito hoje e gostaria de dizer que amo muito vocês...de coração.

Até mais!

Woltony, Luciana, Pedro e Helena

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Bolha de sabão

Oi amigos,


Estou escrevendo novamente de São Paulo. No último post eu estava aqui em virtude do aniversário de um grande amigo nosso, mas hoje estou a trabalho. Essas viagens geralmente são um pouco rápidas, sendo que nesse caso eu cheguei hoje e já estou de volta amanhã. Como eu falei esses dias, voltar para cá sempre me traz muitas lembranças, ainda mais porque o hotel onde estou dessa vez é bem perto do hospital onde fizemos o tratamento.

Falando um pouquinho das crianças, eu poderia hoje começar tentando resumir em uma palavra como eles estão: Viciantes! A cada hora que estou perto deles o tempo parece não existir e tenho que começar a me despedir uma meia hora antes, para ver se consigo sair no horário previsto! A Helena está com um sorriso muito fofo..viciante mesmo! O Pedrinho está numa fase super falante e argumentativa. Esses dias ele até me deu uma bronca e falou que ia me colocar no castigo... no cantinho da disciplina! Tive que me segurar para não rir!

Hoje também é aniversário do meu querido sobrinho e afilhado, o Guilherme. Ele está fazendo cinco aninhos e o Pedro foi lá numa festinha surpresa que fizeram para ele. Ele o chama carinhosamente de Guizão e o bonitinho é que ele sempre tenta imitar o Gui em tudo o que ele faz. Além de imitar, ele defende também o primo! Quando a minha irmã tem que dar uma alguma bronca, ele logo vai em cima dela e diz: “Não faz assim com o Guizão!!!”. É muito cheio de personalidade né?

Esses dias tenho pensado muito sobre o câncer e sobre tudo o que essa doença traz com ela. Eu li muita coisa sobre câncer, de livros e artigos técnicos a textos religiosos, passando também por livros de histórias de pessoas que tiveram câncer. Sem querer entrar no mérito de cada um deles, uma coisa que a gente percebe é que não tem uma pessoa que não saia mudada ou diferente depois de ter estado em contato com o câncer. Além do próprio peso que essa palavra traz, ela também traz uma outra coisa, que vem como um soco na boca do estômago ou como um choque entre dois trens: ela mostra que no fundo somos muito vulneráveis, que vivemos numa bolha de sabão que a qualquer momento pode estourar, e não numa bolha de aço, onde nos achamos indestrutíveis e eternos. Há um ano atrás, estávamos fazendo a punção que dois dias depois indicou que a Luciana poderia estar com câncer. Lembro da gente sentado na sala...da Luciana chorando sem parar e eu ali, parado ao lado dela, sem conseguir pronunciar uma palavra sequer. Total impotência. Só pensava que precisava ser forte...pedia a Deus por isso. Pedia por mim e pela Luciana. Pedia porque sentia que entraríamos na maior luta de nossas vidas! Hoje pensando nisso tudo lembro de uma frase de um grande amigo, que sofria de uma doença degenerativa. Um grande homem. Ele falava assim: “No fundo, somos todos pacientes terminais. A diferença, é que uns são mais conscientes disso do que outros”.

Tenho pensado também em como poder usar tudo o que passei para ajudar pessoas que estão passando por situações parecidas. Ainda tenho a idéia de escrever o livro, mas penso também em alguns outros projetos. Tenho começado a colocar isso para Deus, para que Ele me conduza e me guie nesse sentido, se essa for a vontade dEle.

Amigos, vou ficando por aqui. Talvez hoje o post tenha ficado um pouco denso...peço desculpas, mas era assim que eu estava me sentindo agora a noite.

Um grande abraço e fiquem com Deus. Amo vocês!


Woltony, Luciana, Pedro e Helena

sábado, 16 de outubro de 2010

Em São Paulo

Oi amigos,


Estou escrevendo hoje aqui de São Paulo. Nesse exato momento, estamos aqui no hotel e o Pedrinho e a Helena dormem tranquilamente no quarto. Hoje o pessoal foi dar uma volta na rua 25 de Março e eu e o Mateus ficamos com as crianças aqui.

Até pensei em aproveitar o tempo e tirar um cochilo porém sabe quando o corpo está cansado e a cabeça insiste em não descansar? Toda vez que volto para São Paulo é assim...e estar aqui com as crianças agora me fez pensar em muitas coisas.

Uma delas foi justamente escrever o blog daqui de São Paulo. Quantas vezes a gente falava que estava voltando para São Paulo ou que não agüentava de saudades de Brasília que pensei na ironia que agora é escrever sem tê-la ao meu lado. Aliás, o período aqui em São Paulo foi tão intenso que andar pelo aeroporto de congonhas só me faz lembrar a Luciana. Como ela estava muito cansada, a gente sempre pedia uma cadeira de rodas para que ela se poupasse e ainda assim ela queria ajudar. Sempre falava que dava conta de levar alguma sacola ou mesmo a minha mochila. Ela passava distribuindo sorrisos e procurava passar uma mensagem de ânimo para todos que encontrasse. Nem sempre tinha paciência para usar a peruca e mesmo assim não se importava se os outros olhassem. Claro, isso não era todo dia...às vezes ela usava um lenço ou ficava com a peruca até o calor incomodar (ela era muito calorenta e a peruca esquentava muito). Esse jeitinho dela despertava algo nas pessoas. Algumas vezes a gente percebia um olhar de pena, mas muitas pessoas se aproximavam querendo ajudar, querendo ser simpático com ela. Lembro até de uma vez que estávamos vindo para São Paulo e o comissário fez um sorteio de algumas sacolas ecológicas durante o vôo. Antes do sorteio ele falou baixinho para ela: “Fica tranqüila...uma já é sua!”. Maior marmelada né? Isso sem falar nas inúmeras pessoas que vinham trazendo mensagem de esperança, que diziam que orariam por nós ou que falavam que conheciam algum tratamento e se comprometiam a buscar mais informações. Isso nos tocava tanto que colocava em nosso coração um sentimento que ainda existe muita bondade, que ainda existe muito amor no mundo. E foi isso também que sempre chamava a nossa atenção aqui no blog...o amor que cresce sem fazermos algum esforço. Tem uma frase de um autor chamado Gibran Khalil Gibran que diz que “É belo dar quando solicitado; é mais belo ainda dar sem ser solicitado; mas por haver apenas compreendido." Não tenho nem como agradecer toda a ajuda que vocês nos deram e que continuam dando, quase sempre sem serem solicitados, mas por haverem apenas compreendido.

Hoje durante o almoço conversava com o Mateus sobre como parece que as coisas vão ficando mais difíceis. A gente falava que a saudade vai crescendo e a impressão que dá é que isso vem do fato de sabermos que a Luciana não voltará, que não teremos mais a oportunidade de abraçá-la ou mesmo de escutar a sua voz. Enquanto isso, a vida parece nos empurrar para frente, colocando outros tipos de problemas a serem resolvidos e outros tipos de perguntas a serem respondidas. E o pior é que não adianta se esconder...é com você mesmo que ela está falando e se você não se mexer, as coisas não se resolverão. Difícil é só fazer isso com o coração triste, com a carência de não ter mais a sua alma gêmea ao seu lado, compartilhando todos os momentos da sua vida. Sabe aquela sensação que você está dançando com alguém e de repente essa pessoa sai e você fica ali, no meio do salão, sozinho, vendo todos dançarem enquanto a música ainda continua a tocar. Pois é, às vezes parece que me sinto assim.

Amigos, não quero ficar passando uma imagem de tristeza somente. Apesar de tudo, sinto que Deus tem nos conduzido e proporcionado diversas coisas boas. Tenho conhecido pessoas maravilhosas e mesmo aos trancos e barrancos, muitas coisas boas tem acontecido. Só o fato das crianças estarem ótimas já me deixa feliz e agradecido. Além disso eu voltei a trabalhar e estou colocando aos pouquinhos as coisas em ordem lá em casa. Tenho também feito um acompanhamento com uma psicóloga que também tem me ajudado, até porque tudo no luto é muito confuso. Parece que a quantidade de emoções envolvidas é muito maior do que você pode suportar. E outra coisa que me ajuda muito é escrever aqui...aliás, hoje foi um exemplo típico. Acho que chego agora nas últimas linhas me sentindo muito melhor do que quando comecei a escrever!

Ah, não esqueci dos pedidos para colocar fotos novas! Vou providenciar umas fotos mais recentes das crianças para colocar.

Antes de terminar, vou contar só uma pérola do Pedro. Hoje a gente assistia Discovery Kids e estava passando uns macacos, mais precisamente um orangotango. Como eu achei que ele não saberia o que era, eu falei assim: “Olha filho, o tamanho do macacão!”. Com um olhar de quem queria me ensinar algo ele se vira e diz: “Papai, isso não é um macaco, é um MORANGOTANGO!”. Bom de mais né?

Um grande abraço a todos, um ótimo fim de semana e fiquem com Deus!

Woltony, Luciana, Pedro e Helena